segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


VENUS OF WILLENDORF

A imagem antiga mais famosa de uma mulher é conhecida como “Vênus de Willendorf”, encontrada, pelo arqueólogo Josef Szombathy em 1908, num sítio arqueológico, próximo ao rio Danúbio, na cidade de Willendorf, Áustria.
A estatueta, que mede aproximadamente 11 centímetros de comprimento, está agora no Museu de Naturhistorisches de Viena.
Um estudo publicado em 1990 indica a época em que a Vênus de Willendorf foi esculpida:
em torno de 24.000-22.000 anos aC.
Sua aparencia revela ser a de uma mulher adulta e sua forma ressaltada da feminilidade fez com que ela se tornasse um ícone da arte pré-histórica.
Sendo uma escultura feminina, que se apresenta nua, demonstra o período matrifocal, ao contrário do patriarcado.
Como representação mais antiga da mulher, a estatueta tornou-se, no meio acadêmico, a "primeira mulher", adquirindo uma identidade que levou os pesquisadores a identificá-la também como Eva, dentro de um ponto de vista patriarcal, percebendo as nuances fascinantes do corpo feminino.
O Marquês Paul de Vibraye ironizou a peça, chamando-a de “Venus imodesta”, ao contrário da "Vênus modesta", estátua da Vênus Clássica, que mostra a Deusa tentando esconder os seus seios e seu órgão sexual.
Dois exemplos famosos deste tipo são a Capitoline Vênus (no Museo Capitolino em Roma) e a Medici Vênus (no degli de Galleria Uffizi em Florença).
No 15º século, com o Renascimento italiano, o pintor Sandro Botticelli reavivou este mesmo estilo, pintando "O Nascimento de Vênus", dando início a um resgate da imagem daVênus Clássica.
A conclusão que o Marquês fez é que esta Vênus pré-histórica não faz nenhuma tentativa para esconder a sua sexualidade.
Ela também exibe, de modos que são imediatamente atraentes (para a maioria das mulheres, talvez) e ameaçando (para a maioria dos homens), um ego físico e sexual, que parece desenfreado, por tabus culturais e convenções sociais.
Ela é uma imagem de feminilidade "natural", de poder feminino desinibido, diferente do conceito que temos de "civilização", como na figura da Vênus Clássica, que buscou reduzir e trazer sob controle essa feminilidade.

MÃE TERRA - A DEUSA MÃE
O conceito de uma Mãe Terra, Deusa Mãe ou Grande Deusa, deriva principalmente dos gregos.
O poeta Hesíodo deu o nome à Terra de “Gaea”, "um assento firme de todas as coisas para a eternidade", quem, depois de emergir fora do Caos, produziu "Ouranus estrelado" (o céu), as montanhas, o mar, e, depois, com Ouranus, vários Titãs não-cosmológicos.
Os romanos a adoraram como Tellus, ou Terra Mater, a qual Varro (116-27 aC) chamou "A Grande Mãe."
Em 1861, em seu primeiro volume do livro Das Mutterrecht ['O Direito de Mãe'], o antropólogo suíço Johann Jacob Bachofen (1815-1887) afirma que o poder da tribo estava nas mãos das mulheres, associado-a com a adoração de uma deidade da terra: feminina e suprema.
Apesar da falta de evidência, além do aparecimento das estatuetas, das cosmogonias gregas antigas e a conexão espúria com muitas práticas tribais posteriores, numerosos estudantes sentiram-se livre para estender a idéia de uma Deusa Terra ou Deusa Mãe no passado pré-histórico e resgatar a teoria daquelas pessoas da antiguidade que acreditavam na Deusa como uma deidade universal.
A ênfase dada para a vulva da "Vênus" de Willendorf e a descoberta de cor ocre vermelho na estatueta, servindo como um aparente substituto de sangue, sugere que a estatueta tenha servido para algum propósito com relação a menstruação feminina.
Se a "Vênus" de Willendorf tiver sido adorada dentro da esfera feminina, (uma hipótese acadêmica, com grandes chances de serem a verdade, constatando as evidências citadas acima) aumenta, consideravelmente, a possibilidade de não ter sido esculpida por um homem, mas por uma mulher.



Texto traduzido livremente por Ariany Moreira (A Fiandeira)


(Esse texto tem sua divulgação livre, porém não se esqueça dos devidos créditos.)

2 comentários:

Green Womyn disse...

Eu não sabia que a estátua era tão pequenininha... (rs)

Belo texto, Ary. Valeu pela tradução!

Lajlah Najua disse...

Como é importante ler, estudar, pesquisar... uma informação muito importante dentro do estudo das sociedades antigas matriacais e da nossa incansável tentativa do resgate das maravilhosas e libertadoras leis dessa sociedade!